Que Ônibus Passa Aqui?

Itinerário colaborativo ganha os pontos de ônibus do país e alerta sobre a falta de sinalização e informação para quem depende do transporte público

Um projeto bem ousado, que pretende alertar as prefeituras das grandes cidades sobre a ausência de sinalização nos pontos de ônibus, está ganhando espaço. o “Que ônibus passa aqui“, nasceu em Porto Alegre, pelo coletivo Shoot The Shit, a partir da ideia de que os próprios usuários poderiam informar as linhas de ônibus que passavam em determinados locais da cidade. Em uma lousa, qualquer pessoa pode escrever quais as linhas passam no local, bem como seu itinerário.

Que Ônibus Passa Aqui

Mas nem sempre foi assim. Quando pensado, em um primeiro momento, a ideia era desenvolver um adesivo completo com todas as informações necessárias (mapa, horários, itinerário, telefones relevantes, etc), mas por enfrentar dificuldades de financiamento – cada adesivo teria de ser único para cada parada – e pela falta de padronização dos pontos de ônibus de Porto Alegre, a ideia precisou ser simplificada e acabou por se adotar um modelo colaborativo. Aliás, muito mais interessante!

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Segundo o site do projeto “para quem não está acostumado a pegar ônibus num determinado ponto, a falta de informação faz com que as pessoas percam tempo esperando por uma linha que talvez nem passe naquela rua”.

O projeto deu tão certo em Porto Alegre que a prefeitura municipal resolveu comprar a ideia do projeto, que começou em apenas 50 pontos de ônibus da cidade. Com o apoio financeiro da prefeitura, atualmente todos os cinco mil pontos de parada de ônibus possuem o adesivo para que as pessoas digam quais linhas de ônibus passam naquele local.

Em fevereiro de 2013, o “Que ônibus passa aqui?” ganhou ainda mais força e juntamente com o grupo “Imagina na Copa” espalhou pelo Brasil a ideia de adesivar os pontos de ônibus.

A campanha, que ainda está em andamento, contou com a participação de mais de 20 cidades, cerca de 5 mil pessoas confirmadas em todos os eventos e mais de 6 mil adesivos impressos.

Ativismo 2.0

Que a internet tem papel fundamental na divulgação do “Que ônibus passa aqui” isso não se tem dúvida. Aliás, esta é a ideia mesmo. Para Luciano Braga, um dos idealizadores do projeto, “para conhecer um problema e pensar em alguma solução, você precisa viver o problema. A internet fez duas pessoas mobilizar milhares”.

O sucesso na rede é tão grande, que o protesto, que começou bem pequeno lá em Porto Alegre, já tem mais de 25 cidades como adeptas! Só em Brasília, cerca de três mil adesivos foram impressos. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia, também já contam com o projeto. Até moradores de Lima, no Peru, traduziram o adesivo e levaram a campanha para fora do País. A maior cidade brasileira, São Paulo, também já aderiu à iniciativa e diversos adesivos foram colocados nos pontos de ônibus da Vila Madalena, o Bairro do Limão, a Vila Mariana, o Jardim Paulistano e Cerqueira César. Na capital paulista, a ação ganhou um toque de humor nas mãos do grafiteiro Dafne Sampaio e também ganhou apoio dos grupos 13pompons e Mude o Mundo.

“Estamos insatisfeitos com os pontos de ônibus, por exemplo, mas isso não me dá o direito de sair quebrando tudo e tirando esse espaço da sociedade. Posso criar algo para criticar autoridades, mas que ajude e promova o debate”, completou Braga.

Para participar do “Que ônibus passa aqui” é muito simples: basta que cada pessoa imprima os adesivos disponíveis no site do projeto www.shoottheshit.cc, fazer o download do adesivo, mandar imprimir e colar nas paradas de ônibus da sua cidade.

A Shoot The Shit

A Shoot the Shit já desenvolveu outros oito projetos financiados pelos fundadores ou de forma colaborativa. Um dos primeiros foi o “Salve uma vida, apague um cigarro”, lançado no Dia Nacional de Combate ao Fumo. Eles colaram 100 adesivos em pequenos postes de calçadas para que parecessem com cigarros de ponta cabeça, apagados no chão.

O uso de adesivos, aliás. é recorrente nos projetos. Uma outra campanha sinalizou uma movimentada passarela de Porto Alegre com setas para que as pessoas pudessem ir e vir de forma ordenada.

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